20km a pé

Caminho do Itupava – Serra do Mar – Paraná

Uma longa caminhada cruzando o maior trecho preservado de Mata Atlântica do Brasil pelo Caminho do Itupava entre Quatro Barras à Morretes-PR

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O Caminho do Itupava sem dúvidas, foi uma das aventuras mais emocionantes e desafiadoras que fizemos até hoje, afinal percorrer um trecho de mais de 20 km a pé pela Mata Atlântica é ter uma mistura de sentimentos fantástico, é conhecer seus próprio corpo, superar os seus limites.

Antes de contar como foi esta viagem, vou explicar onde fica e como surgiu este caminho maravilhoso.

Aberto entre 1625 e 1654 pelos índios e mineradores, o Caminho do Itupava, é uma trilha que foi calçada com pedras pelos escravos afim de ligar o litoral ao planalto paranaense. Por aproximadamente 3 séculos, este caminho foi o único meio de ligação entre estes dois locais, permitindo a disseminação da cultura, socialização e desenvolvimento econômico do litoral, até a construção da ferrovia, em seguida a estrada da Graciosa.

Nossa jornada começou as 06:00 da manhã, rumo a Quatro Barras. Pegamos o ônibus Curitiba/Quatro Barras no Terminal Guadalupe em Curitiba, que por sinal, estava cheio de aventureiros como nós, levamos cerca de 1 hora até chegarmos no terminal do município de Quatro Barras. Chegando lá, aguardamos por mais alguns minutos o ônibus Borda do Campo que nos levaria até a base do Caminho do Itupava, este ônibus levou  aproximadamente 15 minutos até chegar próximo a base do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), onde tudo começou. Esta base é a mesma que chegamos da outra vez para subir o morro do Anhangava, eles são responsáveis pela conservação do local.

Chegando na Base do IAP,  por questões de segurança,  fizemos nosso cadastro. Como de costume, eles pedem o nome, telefone, tipo sanguíneo, perguntam se alguém tem alergia a algum medicamento, telefones para contato de cada aventureiro em caso de emergência, e o nome de uma pessoa que fique responsável pelo grupo. Vale a pena lembrar que é obrigatório levar no minimo uma lanterna.

Fomos em 3 casais, Evandro e eu, Vinicius e Mirani, Wilian e Jéssica, pessoal gente fina.

Com o cantil cheio d’água, comida na mochila, iniciamos a trilha por volta das 08:00 da manhã.

A trilha tem uma extensão de 16 km, no inicio são 900m de altitude, chegando no final dela tem mais 3 km até a próxima base, que encontra-se em Morretes e depois mais uns 2km até a estrada que tem saída para o centro de Morretes, com 30m de altitude. Sim, a descida é brusca e a gente sente isso na pele, ou melhor, nos pés, nas pernas e nos braços. Mas não engane-se que tem apenas descida, tem subidas também, no inicio subimos alguns morros, até chegar na pirambeira sem fim.

Caminho do Itupava - Tilha de PedrasO caminho é lindo, cheio de pedras, o cheiro e o som da mata é fantástico.  A mata é bem fechada, o caminho é muito bem cuidado pelo IAP. Fizemos o caminho todo por baixo da das árvores, na sombra, porém mesmo assim, vale a pena lembrar que é bom ir em dia de Sol e até mesmo em semanas que não tiveram chuva, pois por natureza o caminho já é bastante úmido e com isso as pedras são bem escorregadias. Foi um festival de escorregões, cada um de nós caiu pelo menos uma vez, mas o que é o homem sem suas cicatrizes, não teríamos história para contar.

No decorrer da caminhada, podíamos escutar a todo momento o som da locomotiva e seus freios passando pela estrada de ferro, o som misturava-se ao canto dos passarinhos de todos os tipos, ao eco da floresta, ao som das folhas balançando no vento. O mais interessante foi que não conseguimos ver o trem em nenhum momento, apenas ouvíamos, algumas vezes a nossa direita, outras a esquerda, em alguns momentos este som também misturava-se ao som das cachoeiras. Que são todas lindas!

Nossa primeira parada foi nas ruínas da Casa do Ipiranga, diz a história que esta casa foi construída afim de hospedar os engenheiros responsáveis pelas obras da pequena hidroelétrica do local. A casa hoje esta em pedaços, uma pena, a história foi destruídas por vândalos, está toda pichada em situações precárias.

Paramos por alguns minutos, para tomar água e descansar um pouco. Logo, andamos mais alguns metros pelo trilho do trem para ver uma ponte histórica feita com trilhos. Os trilhos são muito bem cuidados. Na ida, antes da ponte, encontramos um pessoal acampando no local, lembrando que isso é proibido! Não pode acampar no Caminho do Itupava. Após a visita a ponte, na volta ainda pelos trilhos, encontramos alguns fiscais do IAP, indo até o local tomar providências sobre o acontecido.

Seguimos o nosso caminho, rumo a nossa segunda parada, o santuário do Cadeado.

Até chegarmos lá, a decida era bem íngreme e escorregadia, uma descida sem fim. Haja perna. Passamos horas apenas descendo uma pirambeira de pedras que pareciam enceradas de tão lisas, até que próximo ao santuário, havia um “escada” que nos ajudou a descer com mais segurança, acredito que sem aquele apoio, não teríamos como descer. Ainda nesta escada, alguns metros antes de chegar ao Santuário, pudemos observar todo o litoral. Sim! de lá conseguíamos ver o mar. Uma vista linda.

Por volta de 13:30, chegamos ao Santuário da Nossa Senhora do Cadeado, onde fizemos nossa parada para almoço.

Estávamos exaustos, mas felizes pois já havíamos feito pouco mais da metade do trajeto planejado. A vista de lá era linda, podíamos observar todo o conjunto Marumbi e o seu ponto mais alto, o Olimpo.

Ficamos neste ponto por volta de 1 hora, muitas pessoas param neste trecho para descansar, repor as energias e se alimentar, pois ainda tem uma longa jornada até o final.

Já alimentados partimos, haviam no minimo mais uns 10km de caminhada pela frente. Dai em diante o caminho parecia mais longo devido ao cansaço, mas também muito bonito, pois passamos por belas cachoeiras até chegar as margens do Rio Nhundiaquara nosso destino final.

Após 16 km, chegamos ao fim da trilha, mas não ao fim da jornada, pois precisamos caminhar até o base do IAP para dar check out. Esta caminhada foi de aproximadamente 5km, mas o que eram estes 5 km para quem andou 16 km.

Chegamos na base por volta das 17:00. Neste local, tem um onibus que parte em direção ao centro de Morretes, porém o horário dele era as 16:30, ou seja, perdemos o onibus, sendo assim, tivemos que pegar um táxi até a rodoviária de Morretes, onde compramos passagem de volta pra casa.

Enfim, o caminho é lindo, vale a pena conhecer, mas ficam aqui algumas dicas:
- Leve uma lanterna;
- Não vá em dias de chuva;
- Leve bastante água para você se manter hidratado;
- Comida para o dia inteiro;
- Vá com um tênis confortável, mas não largo. Existem botas e meias especiais para este tipo de aventura.
- e Muita disposição!


Confira o Mapa completo do trajeto:

Visualizar Caminho do Itupava em um mapa maior

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